November 2011
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Eu não vou tomar nenhuma medida drástica a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva em insistir em fé nenhuma? Ah, passa devagar tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia […] Que aconteça uma coisa bem bonita com você, ela diz, te desejo uma fé enorme em qualquer coisa não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza… — Caio Fernando Abreu, Morangos Mofados.
Me deixe descansar, mesmo que no leve desespero de um sonho. Eu quero o que antes de mim pôde ser o encaixe das espécies, a palha de um conforto. A mania de me escravizar é tão forte que um súbito impulso de fé torna-se água, ao passo que me leva ao pesadelo de sentir sem poder gritar. São firmes os pés que dotados por ímãs me transportam a toda possibilidade de real. A minha sina é o irreal. — Caroline Coelho