February 2012
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Fitar-te é aguçar os poços de alegria em mim. Pequena, és encantadora a sua maneira e também, a prova de que acertei o pulo quando te encontrei. Toda forma de doçura me remete imediatamente a ti, a sua estrutura… Mas menina sabe o quanto me cativas através desse par de olhos negros? Tens ideia do efeito deles sobre mim? Resilio
É verdade que o amor pode ficar lúcido? É verdade que o amor pode ser cronometrado e existem muitas formas de cansaço que petrificam a nossa astúcia? Me disseram que você não canta mais como antes. Verdade? É justamente a última saudade que eu tenho. Quando você cantava, a gente podia ter certeza de um turbilhão de mistérios. Porque parecia que você sufocava em cada nota. Quando a gente canta, a gente morre. Quando a gente escreve, quando a gente dança, quando a gente é arte de verdade, a gente morre. Muita gente desaprende a ser de verdade e parece que o amor pode ficar congelado na falta de morte. E você nem canta mais. Onde está a nossa vida pós-existência-física? Era justamente uma das lembranças mais bonitas que eu tinha. Mariane Cardoso
E quantas razões já se perderam em sua paciência de amar. Eu encolho bem os braços, abro bem os olhos, é bonita essa forma de despencar, é magia que põe sua eternidade suspendida. Digo agora em seu ouvido que a bobagem é um dom, enquanto todos, caóticos e agoniados, se esforçam para serem espertos. Mas você, pintado de paz, só quer um aconchego, você só quer doar suas tralhas e suas jóias a um coração desocupado. O peso que carrega da vida é grande, cabe tudo no peito, mas não há tempo. Não há tempo para esvaziar, não há tempo para respirar, não há tempo para levitar. Eu queria arranjar-lhe mãos capazes de segurarem sua alma. Porque você ainda irá encontrar alguém que transite esse seu mundo, que suspenda a sua voz, que dance com o seu cansaço. Nesse abismo em que o amor nos meteu, uma hora você pula. Pula e não morre. Pula, encontra outra mão e voa. Zaluzejos